Suplementação de ferro em atletas: é realmente necessária? – Caroline Nagano

O ferro é um mineral essencial para o corpo, responsável por levar oxigênio para os tecidos, participar da produção de energia, apoiar o sistema imune e o metabolismo. Por isso, quando falamos de atletas e praticantes de atividade física intensa, a dúvida sobre a necessidade de suplementação de ferro é muito comum.

Mas será que todo atleta precisa suplementar?

Ferro, ferritina e desempenho

O corpo humano mantém seus estoques de ferro e regula com cuidado o equilíbrio entre o que é perdido e o que é armazenado. Quem mostra esse estoque é a ferritina, uma proteína que reflete a quantidade de ferro guardada no organismo. Por isso, a ferritina sérica é o exame mais usado para avaliar se há deficiência ou não.

Quando falta ferro, pode surgir a anemia ferropriva, que causa sintomas como cansaço, fraqueza e queda de rendimento ,  algo que também pode acontecer em atletas. E mesmo antes da anemia, níveis baixos de ferro já podem prejudicar a performance.

Isso acontece porque o ferro está diretamente ligado à hemoglobina (que transporta oxigênio) e também às enzimas que participam da produção de energia durante o exercício. Sem ferro suficiente, a extração e o uso do oxigênio ficam comprometidos, reduzindo a capacidade aeróbica (VO₂ máx) , um marcador importante de saúde e longevidade.

Suplementação de ferro: quando pode ajudar?

Uma meta-análise publicada em 2015 mostrou que a suplementação de ferro em atletas com deficiência de ferro melhora a capacidade aeróbica, medida pelo VO₂ máximo. Ou seja: em quem tem níveis baixos, suplementar faz diferença real no desempenho.

Por outro lado, a suplementação em atletas sem anemia e com estoques normais é um tema mais complexo. Os estudos ainda são pequenos e, em geral, só mostraram benefícios em quem tinha ferritina menor que 20 µg/L. Para valores acima disso, não há evidências fortes de melhora no rendimento com a suplementação, porém abaixo de 40 µg/L eu já costumo suplementar em meus pacientes, porque na pratica já existe uma queda de perfomance. 

Quem merece mais atenção

  • Mulheres, especialmente devido à perda de ferro durante a menstruação;
  • Atletas com dietas restritivas ou vegetarianas;
  • Pessoas com sintomas como fadiga, queda no rendimento ou histórico de deficiência.

Nesses casos, a recomendação é sempre individualizada, feita por um médico ou nutricionista, com base em exames. 

Muitas vezes, uma boa alimentação rica em ferro (como carnes, feijão, lentilha, vegetais verdes escuros) já ajuda bastante.

Conclusão

A suplementação de ferro não é para todos os atletas, mas pode ser fundamental para quem tem deficiência comprovada. O segredo está em avaliar, investigar com exames e tratar de forma personalizada.