Palavra-chave principal: check-up cardiológico para corrida
Palavras-chave relacionadas: cardiologista para corredor, exames para correr, check-up para maratona, avaliação cardiológica esportiva, teste ergométrico para corredor
Meta description: Vai começar a correr ou se preparar para uma prova?
Entenda como funciona o check-up cardiológico do corredor e por que os exames devem ser individualizados.
“Doutora, quais exames eu preciso fazer para saber se posso correr?”
Essa é uma pergunta muito frequente no consultório.
E a resposta não deveria começar com uma lista pronta de exames.
Deveria começar com outra pergunta: Quem é esse corredor?
Um homem de 40 anos, sedentário até poucos meses atrás, com pressão alta e colesterol elevado, não deveria ser avaliado da mesma maneira que uma mulher de 28 anos, assintomática, sem fatores de risco e que pratica exercícios regularmente há anos.
Da mesma forma, alguém que corre 5km algumas vezes por semana tem uma demanda diferente de quem está se preparando para uma maratona.
É por isso que check-up esportivo precisa ser individualizado.
A avaliação começa antes dos exames
Antes de solicitar qualquer exame, existem informações que podem mudar completamente a avaliação.
Idade, histórico familiar, doenças anteriores, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, composição corporal, sintomas e medicamentos fazem parte desse raciocínio.
Depois, precisamos entender o exercício:
Há quanto tempo você corre?
Qual distância?
Quantas vezes por semana?
Em qual intensidade?
Já participou de provas?
Está aumentando volume ou intensidade?
Pretende correr 5 km, 10 km, uma meia maratona ou uma maratona?
Tudo isso importa.
Eletrocardiograma, teste ergométrico e ecocardiograma: todo corredor precisa fazer?
Não necessariamente. Os exames devem responder a perguntas clínicas.
O eletrocardiograma de repouso pode fazer parte da avaliação cardiovascular do atleta e ajuda a identificar determinadas alterações elétricas, porem na pratica, na grande maior parte das vezes são necessários outros exames.
Teste ergométrico (aquele na esteira) e ecocardiograma são os exames mais comuns que pedimos no dia a dia do esportista amador. A indicação muda conforme o perfil de cada pessoa.
Qual é a diferença entre teste ergométrico e teste cardiopulmonar?
Embora ambos envolvam exercício, eles fornecem informações diferentes.
O teste ergométrico avalia a resposta cardiovascular ao esforço, incluindo frequência cardíaca, pressão arterial, sintomas e comportamento do eletrocardiograma.
Já o teste cardiopulmonar de exercício, também chamado de ergoespirometria, acrescenta a análise das trocas gasosas. Com ele podemos obter informações como VO₂ pico/máximo (que os corredores adoram saber), avaliar faixas de treinamento, mas também avaliar alterações cardíacas precoces e alterações pulmonares.
Para o corredor, essas informações podem ser úteis não apenas do ponto de vista médico, mas também para compreender melhor sua capacidade funcional e individualizar intensidades de treinamento.
E o ecocardiograma?
O ecocardiograma avalia a estrutura e o funcionamento do coração.
Dependendo da idade é importante ter um exame de base para quem nunca fez antes.
Mais uma vez: o objetivo não é simplesmente acumular exames.
É saber qual pergunta queremos responder com cada um deles.
E depois dos 35 ou 40 anos?
Aqui existe outro ponto importante.
Conforme a idade aumenta, a doença arterial coronariana (aquela de entupimento de artérias) passa a ocupar um papel cada vez mais relevante entre as causas cardiovasculares relacionadas ao exercício.
Por isso, principalmente no esportista de meia-idade, a avaliação precisa olhar além da capacidade física.
Pressão arterial, colesterol, glicemia, tabagismo, histórico familiar e outros fatores de risco precisam ser considerados.
Em casos selecionados, a investigação de aterosclerose ou doença coronariana pode fazer parte da avaliação.
Isso não significa que todo corredor acima dos 40 anos precise realizar uma angiotomografia coronariana. Significa que idade isoladamente não decide o exame: o conjunto das informações decide e também a intensidade do exercício que leva a demandas cardíacas diferentes. (como nos maratonistas ou atletas de ironman por exemplo).
Estar bem condicionado não elimina o risco cardíaco. Essa talvez seja uma das maiores confusões entre esportistas amadores.
Uma pessoa pode apresentar excelente desempenho e, ainda assim, ter hipertensão, colesterol elevado, entupimento de artéria ou uma alteração cardíaca silenciosa.
Por outro lado, alterações encontradas em exames de atletas podem representar adaptações fisiológicas ao treinamento e não necessariamente doença.
É justamente nessa interpretação que a integração entre Cardiologia e Medicina do Esporte faz diferença.
Não basta olhar apenas para o coração.
Também é preciso entender quem treina, como treina, quanto treina e onde quer chegar.
Quando procurar uma avaliação antes de correr?
Uma avaliação é especialmente importante quando existem sintomas durante o exercício, fatores de risco cardiovascular, histórico familiar relevante, retorno ao esporte após longo período sedentário, presença de doença cardiovascular conhecida ou intenção de aumentar significativamente volume e intensidade dos treinos.
Para esportistas de longa como maratona para cima, eu diria que é quase obrigatório avaliar a saúde cardiológica com cardiologista esportiva.
Também pode ser uma oportunidade para quem deseja compreender melhor sua saúde cardiovascular e praticar exercício de maneira mais individualizada.
Seu check-up deve acompanhar o seu objetivo
Preparar-se para correr não deveria significar apenas comprar um tênis e seguir uma planilha.
Da mesma forma, avaliação cardiológica esportiva não deveria significar simplesmente realizar uma bateria padronizada de exames.
O objetivo é conhecer seu coração, entender o exercício que você pratica e construir uma estratégia segura para continuar se movimentando.
Cardiologia e Medicina do Esporte integradas para quem quer cuidar do coração e manter uma vida ativa.
