Palavra-chave principal: Lipoproteína(a)
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Meta description: Saiba o que é Lipoproteína(a), por que níveis elevados aumentam o risco cardiovascular e por que as recomendações atuais orientam sua dosagem ao menos uma vez na vida.

Você se alimenta bem, pratica exercícios, não fuma e seus exames de colesterol parecem adequados.

Isso significa que seu risco cardiovascular é necessariamente baixo?

Nem sempre.

Existem fatores de risco que não aparecem no check-up mais básico. Um deles é a Lipoproteína(a), também conhecida como Lp(a).

O que é Lipoproteína(a)?
A Lp(a) é uma partícula semelhante a outra de colesterol, porem que veio “malformada”eu diria com as minhas palavras. Eu explico para os pacientes que é como se elas viessem com defeito de fabrica (pq tem componente genético) e são mais “agressivas”. São mais aterogênicas (maior tendencia a entupir as artérias) e trombogênicas (maior tendencia a formar trombos)

A Lp(a) também está relacionada ao risco de estenose da válvula aórtica.

O que torna a Lp(a) diferente do colesterol convencional?
Uma das principais diferenças é sua forte determinação genética.

Mais de 90% da concentração da Lp(a) é determinada geneticamente.

Isso significa que uma pessoa pode:

• ser magra
• praticar exercícios regularmente
• ter uma boa alimentação
• não fumar
• apresentar glicemia normal
• e ainda assim ter Lp(a) elevada.

É por isso que ela pode representar um risco cardiovascular que passa despercebido em uma avaliação convencional.

Quem deve medir Lipoproteína(a)?
As recomendações atuais ampliaram a importância desse exame.

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 recomenda a dosagem da Lp(a) uma vez na vida na população geral, quando disponível, para auxiliar na estratificação do risco cardiovascular e no manejo terapêutico.

A avaliação ganha ainda mais importância em pessoas com:

• doença cardiovascular precoce
• histórico familiar de infarto ou AVC precoce
• hipercolesterolemia familiar
• familiares com Lp(a) elevada
• estenose aórtica
• risco cardiovascular que não parece ser totalmente explicado pelos fatores tradicionais

Qual valor de Lipoproteína(a) é considerado elevado?
O risco relacionado à Lp(a) não funciona simplesmente como “normal” ou “anormal”. Ele aumenta progressivamente conforme a concentração sobe.

De acordo com a Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, valores de Lipoproteína(a) ≥ 50 mg/dL ou ≥ 125 nmol/L são considerados elevados e podem aumentar o risco de infarto e outras doenças cardiovasculares.

Mas ter a Lipoproteína(a) elevada não significa que você terá um infarto no futuro. Ela funciona como um sinal de alerta que nos ajuda a identificar pessoas que podem se beneficiar de uma prevenção mais cuidadosa.

Em alguns casos, pode ser indicado investigar se já existem placas de gordura nas artérias, mesmo antes do aparecimento de sintomas. Em outros, podemos optar por controlar o colesterol de forma mais rigorosa ou até iniciar medicamentos mais precocemente.

Descobrir esse risco é, na verdade, uma oportunidade de agir antes: acompanhar mais de perto, controlar melhor os outros fatores de risco e construir uma estratégia de prevenção para reduzir as chances de um infarto no futuro.

Se minha Lp(a) estiver alta, existe tratamento?
Essa é uma dúvida frequente.

Hoje, ainda estão sendo estudadas terapias especificamente desenvolvidas para reduzir de maneira importante a Lp(a) e demonstrar se essa redução se traduz em menos eventos cardiovasculares.

Enquanto isso, descobrir uma Lp(a) elevada pode mudar a forma como avaliamos o restante do risco.

Isso pode significar uma atenção ainda maior ao LDL, pressão arterial, tabagismo, diabetes, peso, atividade física e outros fatores modificáveis.

Em determinadas pessoas, a Lp(a) elevada também pode contribuir para uma reclassificação do risco cardiovascular e mudar a meta ideal de LDL colesterol na pratica de consultório..

Por que esse exame é especialmente interessante em pessoas aparentemente saudáveis?
Porque é justamente nesse cenário que ele pode revelar uma informação que ainda não estava evidente.

Imagine alguém que treina regularmente, não apresenta sintomas e possui vários exames dentro da normalidade.

Se analisarmos apenas os fatores tradicionais, poderemos concluir que seu risco é muito baixo.

Mas a presença de Lp(a) significativamente elevada pode mudar essa interpretação.

Prevenção cardiovascular não significa simplesmente olhar se cada exame está dentro do valor de referência.

Significa juntar histórico pessoal, histórico familiar, hábitos, exames, fatores genéticos e, quando indicado, informações sobre a presença de aterosclerose.

Você já mediu sua Lipoproteína(a)?
A recomendação atual é que todo adulto meça a Lipoproteína(a) pelo menos uma vez na vida. Conhecer esse resultado ajuda a identificar um risco que pode passar despercebido nos exames de rotina e permite individualizar melhor a prevenção cardiovascular.