Palavra-chave principal: morte súbita em corrida
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Meta description: Entenda por que a morte súbita pode acontecer durante corridas, quais são os principais fatores de risco e quando o corredor deve fazer uma avaliação cardiológica.

Correr faz bem para o coração. A prática regular de atividade física está associada a inúmeros benefícios para a saúde e deve ser incentivada.

Mas existe uma pergunta que costuma surgir sempre que um caso de parada cardíaca acontece durante uma corrida:

Como uma pessoa que treinava, corria e parecia saudável pode apresentar um problema cardíaco durante uma prova?

A resposta começa por um ponto importante: condicionamento físico não é sinônimo de ausência de doença cardiovascular.

O risco muda de acordo com a idade
As causas de parada cardíaca associada ao esporte não são iguais em todas as fases da vida.

Em atletas mais jovens, existe uma preocupação maior com doenças cardíacas estruturais ou elétricas, incluindo algumas cardiomiopatias e doenças hereditárias.

Já entre esportistas acima dos 30–35 anos, a doença arterial coronariana passa a ter uma importância crescente.

Isso é particularmente relevante para o corredor amador que começou a praticar atividade física para melhorar a saúde, perder peso ou aumentar o condicionamento.

Ele pode treinar regularmente e, ao mesmo tempo, apresentar fatores de risco como:

• pressão arterial elevada
• colesterol alto
• diabetes ou alterações da glicose
• sobrepeso ou aumento da circunferência abdominal
• tabagismo atual ou prévio
• histórico familiar de doença cardiovascular precoce

Por isso, olhar apenas para o desempenho esportivo pode trazer uma falsa sensação de segurança.

Por que uma prova pode ser diferente de um treino habitual?
Uma maratona ou meia maratona exige muito do organismo.

Durante uma prova, frequência cardíaca, pressão arterial e demanda de oxigênio pelo coração aumentam. Além disso, podem existir fatores adicionais, como calor, desidratação, alterações eletrolíticas, privação de sono ou uma infecção recente.

Na maioria das pessoas, o organismo responde bem a esse estresse.

Mas, quando existe uma condição cardíaca ainda não identificada, o exercício intenso pode funcionar como um gatilho para um evento.

A parada cardíaca durante uma maratona é rara, mas o risco não é igual para todos. Estudos mostram, por exemplo, aumento da incidência com o avanço da idade, especialmente entre homens.

“Mas eu corro há anos e nunca senti nada.”

Esse é justamente um dos pontos mais importantes.

Algumas doenças cardiovasculares podem permanecer silenciosas durante muito tempo.

Da mesma forma, conseguir correr 10, 21 ou 42 quilômetros não exclui automaticamente a presença de doença cardiovascular.

O histórico esportivo é uma informação importante, mas precisa ser analisado junto com idade, sintomas, histórico familiar, fatores de risco e intensidade de treinamento.

Todo corredor precisa fazer todos os exames cardiológicos?
Não.

E essa talvez seja uma das mensagens mais importantes quando falamos em avaliação esportiva.

Um bom check-up não é aquele que pede o maior número de exames. É aquele que pede os exames certos para aquela pessoa.

A avaliação pode envolver história clínica detalhada, exame físico e eletrocardiograma. Dependendo da idade, dos sintomas, do histórico familiar, dos fatores de risco e da intensidade do exercício, outros exames podem ser indicados.

Teste ergométrico, teste cardiopulmonar, ecocardiograma, monitorização do ritmo cardíaco e investigação de doença coronariana têm indicações específicas.

Por isso, não existe um único “pacote de exames” adequado para todo corredor, ate porque corredor de 5km, não é igual a um corredor de meia maratona, que não é igual a um de Triathlon

Quais sintomas merecem atenção?
Dor ou desconforto no peito durante o exercício, desmaio ou sensação de quase desmaio, palpitações associadas a mal-estar, falta de ar desproporcional ao esforço e queda inexplicada do desempenho merecem avaliação (preste atenção nesse ultimo. Esportistas amadores podem ter somente esse sinal)

O histórico familiar também importa, especialmente quando existem casos de morte súbita ou doença cardiovascular precoce na família.

O objetivo não é ter medo de correr

É justamente o contrário.

O exercício é uma das ferramentas mais importantes que temos para construir saúde e longevidade.

O papel da Cardiologia do Esporte não é afastar pessoas do exercício sem necessidade. É entender quem está diante de nós, identificar riscos quando eles existem e ajudar cada pessoa a praticar atividade física com mais segurança.

Vai começar a correr ou está aumentando suas distâncias?
Uma avaliação cardiológica individualizada pode ajudar a entender seus fatores de risco, seu coração e as demandas do esporte que você pratica.

Cardiologia e Medicina do Esporte para cuidar do coração e manter uma vida ativa.